terça-feira, 28 de julho de 2009

Confidência


É que quando se deparou com um abismo de rosas, Pedro não sabia o que fazer.
Tanto vermelho em flor. Tanto sangue derramado. Tanta vida em suavidade.
Tocou naquela que os espinhos pareciam bem definidos. Tomou-a para si.

Regou. Cultivou.
O que não sabia é que precisaria dar gotas de sangue diariamente para manter o tom escarlate da amada.

Intermitente


O banho quente lhe escaldou a pele.
O vinho tinto fervilhou suas entranhas.

superfície
artífice

Mas era de vermelhos e abstinências que se fazia em carne. Viva.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Mosaico


tinha um tubo de Tenaz na gaveta
já servia.

desperta de um sono hipnótico, a senhora cumpriu com exatidão a ordem que lhe deram
colou seus pedacinhos um a um

juntou cores, dores, estragos e cola branca
sem queixume nem revolta

fez bonito. Pendurou na sala de estar.

Cenário


Drama, ato único

mesa

Duas cadeiras

o violoncelo

clarice lispector, guimarães rosa, saramago

Tears are in your eyes

penumbra

vermelhos e verdes

o – que – não – sei

Pausa

A minha e a tua

xícara de café

chá preto com canela

madrugada

Biombo rasgado

orvalhos


Ao fundo ouve-se “Althought you don't believe me you're strong. / Darkness always turns into the Dawn. / And you won't even remember this for long.../ When it ends allright.”

O facho de luz que ilumina as faces vai progressivamente se apagando.


segunda-feira, 6 de julho de 2009


Amor será dar de presente um ao outro a própria solidão? Pois é a coisa mais última que se pode dar de si.


Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres. Clarice Lispector