quinta-feira, 11 de junho de 2009
Ranhuras
domingo, 7 de junho de 2009
Cigana
de ir e vir
O ser e a rosa tácita

- humm.. o que foi?
- tem uma rosa escorrendo vermelha, ali. É um vermelho morno e cansado. e bonito, também
- parece tão dissimulada, essa flor-da-pele
- ah! Ela está só desabrochando
- mas me assusta, sabe...
- é a alquimia mais divina que implora aqui
- Dói?
- Tem tanto branco lírico,em volta..
- esses lençóis!
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Livro Aberto - Vitor Ramil
Essa cama imensa consumindo a noite
Esse livro aberto como alegoria
O abajur perdido em sua luz
Essa água quieta desejando a sede
O controle girando no ar
A TV remota em sua fantasia
Uma alegria que não vai passar
Se você vier
Esse teto frágil sustentando a lua
Esse livro aberto como uma saída
O tapete e seu plano de voo
O lençol revolto antecipando o gozo
Essa velha casa de coral
Essa concha muda que o meu sonho habita
A paixão invicta que não vai passar
Se você vier
Esse rádio doido de olhos valvulados
Esse livro aberto como uma sangria
Esse poema novo sem papel
O papel que cabe aos meus sapatos rotos
O meu rosto que o espelho não vê
A janela imóvel em seu desatino
Esse meu destino que não vai passar
Se você vier
Esse quarto agindo à minha revelia
Esse livro aberto como uma indecência
O desejo é um naco de pão
A ilusão exposta em tanto desalinho
Uma tecla insiste em bater
No relógio o tempo é uma saudade tensa
E essa cama imensa que não vai passar
Se você vier


